O IDHM

O IDHM é obtido pela média geométrica dos três subíndices das dimensões que compõem o índice: longevidade, educação e renda.

Obtenção dos dados

    Apesar de coletado em nível de domicílios e de pessoas, os dados dos Censos somente são liberados agregados, para evitar a exposição de informações personalizadas. No caso das informações constantes no questionário aplicado no universo dos domicílios, os dados estão disponíveis para os setores censitários. Já no caso do questionário da amostra, do qual o Atlas retira a maior parte de seus indicadores, os dados estão disponíveis apenas para as áreas de ponderação.

    Para obter o acesso aos dados do questionário da amostra para recortes espaciais diferentes daqueles correspondentes às áreas de ponderação, os usuários devem submeter um projeto com a proposta da nova agregação para avaliação do IBGE, observando as exigências de confiabilidade estatística e obedecendo a critérios que serão rigorosamente avaliados por um comitê técnico. Entre os parâmetros avaliados pelo comitê, destaca-se, em especial, a exigência de que as áreas criadas devem ter, pelo menos, 400 domicílios particulares permanentes amostrados.

    Uma vez aprovado o projeto com a criação de novos recortes espaciais para extração de dados, os usuários utilizam uma sala especial disponibilizada pelo IBGE, a chamada “sala de sigilo”, em que têm acesso aos microdados dos Censos segundo sua agregação espacial. Os resultados agregados obtidos a partir dos microdados passam ainda pela avaliação de consistência pelo IBGE antes de serem finalmente liberados ao usuário.

    O processo acima descrito descreve os procedimentos observados pela equipe do projeto para obtenção dos indicadores do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas, no caso dos recortes espaciais chamados de Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH).

O que é um setor censitário?

    O setor censitário é constituído de áreas contíguas, delimitadas para atender aos parâmetros da coleta e para controle cadastral. Situa-se em um único quadro urbano ou rural e o número de domicílios nele contidos e sua dimensão territorial são definidos de forma a permitir o levantamento das informações por um único recenseador. É definido em função da rota do recenseador, obedecendo a barreiras físicas e à lógica dos logradouros. Sua configuração assemelha-se às rotas dos leituristas de relógio de água, de energia elétrica, de endereçamento postal ou de coleta de lixo (normalmente quarteirões em centros urbanos, prédios muito grandes, etc). Com isso, tende a ser mais homogêneo nas áreas de maior densidade populacional e menos nas mais rarefeitas.

O que é uma área de ponderação?

    A área de ponderação, por seu turno, é uma unidade geográfica formada por um agrupamento de setores censitários contíguos, para a aplicação dos procedimentos de calibração das estimativas obtidas com a amostra com as informações conhecidas para a população como um todo.

Critérios para a divisão das UDHs

    As UDHs foram delineadas buscando gerar áreas mais homogêneas, do ponto de vista das condições socioeconômicas, do que as áreas de ponderação do IBGE. Ou seja, elas são construídas com o objetivo de melhor captar a diversidade de situações relacionadas com o desenvolvimento humano que ocorre no interior dos espaços intrametropolitanos, notadamente em seus grandes municípios, para desvendar o que é escondido pelas médias municipais agregadas, como apresentadas no Atlas do Desenvolvimento Humano nos Municípios.

    Enquanto a lógica das áreas de ponderação do IBGE atendem a quesitos técnicos relacionados ao processo de coleta e amostragem, as UDHs estão voltadas para a análise espacial das Regiões Metropolitanas (RM) por meio de recortes espaciais de maior homogeneidade socioeconômica, com o objetivo de retratar as desigualdades intrametropolitanas de forma mais contundente.

    Para se propor esses novos recortes espaciais para a análise e aprovação do IBGE, não foi utilizado nenhum modelo econométrico que pudesse ser aplicado para gerar a conformação das UDHs em todas as RMs do país. As características da vida urbano/metropolitana levam a conformações socioespaciais muito diversas e a homogeneidade obtida por meio da variável A ou B não necessariamente seria igual (ou delinearia a mesma área) se medida por uma segunda variável, considerando-se, ainda, que os próprios setores censitários já trazem consigo algum nível de heterogeneidade. E cada lugar tem a sua morfologia e sua história de ocupação do espaço urbano.

    Assim, para além das possibilidades associadas à análise das variáveis disponíveis para todos os setores censitários (que poderia ser contemplada por algum modelo econométrico), diversas situações que alteram os dados dos setores censitários (tal como a existência de um único condomínio vertical que altera a média dos dados de um setor censitário) e características da ocupação urbana (tais como idade e perfil dos assentamentos), podem não ser captadas, por exemplo, pela variável renda, e podem interferir nos indicadores sociodemográficos das UDHs. Isto fez com que fosse necessário construir a proposta das UDHs em cada RM de modo “customizado”, atentando-se para as especificidades de cada espaço metropolitano considerado.

Validação local

    No processo de delimitação das UDHs, foi necessário contar com o conhecimento e a colaboração técnica de instituições e pesquisadores de todas as RMs abrangidas pelo Atlas, para que eles pudessem, a partir de uma base de informações socioeconômicas em nível de setores censitários (foram disponibilizadas informações do censo-universo como renda, número de banheiros dos domicílios, entre outras), propor a configuração de recortes espaciais intrametropolitanos mais homogêneos que atendessem às exigências técnicas do IBGE.

    Além disso, essas novas unidades espaciais deveriam ser reconhecidas, inclusive, por denominações já utilizadas pela população. Na medida do possível, tais unidades se constituiriam em agregações de setores censitários que apresentariam áreas contíguas, visando facilitar sua nomenclatura e reconhecimento.

    A construção das UDHs, portanto, foi um trabalho que exigiu a articulação de um conjunto expressivo de parceiros (articulados por meio da Plataforma Ipea de Pesquisa em Rede – Rede Ipea). Os parceiros deveriam propor a configuração desses espaços intrametropolitanos, respeitando os critérios e exigências do IBGE, os quais deveriam ser os mais homogêneos possíveis, em termos socioeconômicos (homogeneidade), contíguos (contiguidade) e que fossem reconhecidos por parte da população residente (identidade).

Limitações

    No processo de construção das áreas que configuram as UDHs, observou-se que, em diversos casos, tornava-se difícil atender a um dos critérios do IBGE para extração dos dados do questionário da amostra (mínimo de 400 domicílios particulares permanentes amostrados) e, simultaneamente, observar o critério de homogeneidade socioeconômica e de perfil de ocupação urbana desejado.

    Essa limitação técnica exigiu que a construção das UDHs obedecesse a duas etapas:

    - Na primeira etapa, os critérios de homogeneidade, contiguidade e identidade deveriam ser respeitados, sem, necessariamente, atender ao critério de conformar áreas com pelo menos 400 domicílios particulares amostrados (ainda que essa fosse a situação desejável). Como resultado desta etapa foram gerados os recortes propostos pela coordenação do Atlas, validados pelos parceiros da Rede Ipea e colaboradores. São os recortes que correspondem às UDHs tal como apresentadas no Atlas do Desenvolvimento Humano das Regiões Metropolitanas.

    - Na segunda etapa, visando a extração dos dados, os recortes definidos na primeira etapa foram ajustados para atender aos seus critérios do IBGE de um mínimo de 400 domicílios particulares permanentes amostrados por recorte. Assim, as UDHs geradas na primeira etapa, quando não atendiam a esse critério, foram agregadas a outras UDHs que apresentavam as mesmas características em termos socioeconômicos e de perfis de ocupação urbana. A agregação era realizada até que fosse alcançado para o novo recorte o mínimo dos 400 domicílios particulares permanentes amostrados. Ao final, é como se fossem geradas novas áreas de ponderação com maior homogeneidade socioeconômica, mas sem contiguidade espacial.

    Tal procedimento se justifica, por exemplo, quando se registram pequenas vilas/favelas incrustradas em bairros de alta renda, ou, inversamente, quando existem condomínios de luxo incrustrados em bairros de população de baixa renda ou de características domiciliares muito distintas.

    A agregação de UDHs foi realizada de forma independente para os anos de 2000 e de 2010. De fato, as características de homogeneidade em termos socioeconômicos e de perfis de ocupação urbana (que justificaram a agregação de um conjunto de UDHs num mesmo recorte para fins de extração de dados em 2000) não necessariamente apresentaram processo de transformação semelhante uma década depois (determinando a necessidade de novas agregações para o ano 2010).

    Desta forma, os dados apresentados para uma UDH que foi agregada pelos motivos acima descritos não são exclusivos dela, mas são resultados médios relativos ao conjunto formado com outras UDHs homogêneas (em termos socioeconômicos e de perfis de ocupação urbana) para atender aos critérios de confiabilidade estatística no processo de extração dos dados.

    Por esta razão, UDHs cujos dados foram obtidos em conjunto compartilham os mesmos indicadores, exceto aqueles que têm origem no censo-universo (como população e analfabetismo), para os quais é possível obter informações sem levar em conta o critério de mínimo de 400 domicílios particulares permanentes amostrados.

    Na seção de download da plataforma é possível obter informações detalhadas sobre as agregações das UDHs realizadas em 2000 e em 2010 por Região Metropolitana.

    Outra observação importante sobre a construção das UDHs diz respeito aos municípios pequenos que fazem parte de RMs. Quando o município apresenta uma população pequena, em geral, com apenas uma única área de ponderação, ele também corresponde a uma única UDH. Dessa forma, seus indicadores correspondem àqueles observados para o município como um todo, dada a impossibilidade de se fazer uma divisão do seu espaço, ainda que se reconheça a existência de desigualdades socioespaciais em seu território.

Divisão Regional

    Na construção das UDHs que aparecem no Atlas e na eventual agregação de UDHs para fins de extração dos dados da amostra, nos municípios em que havia recortes regionais compatíveis com a malha dos setores censitários do Censo Demográfico 2010, esses recortes foram respeitados, de modo que os indicadores estão disponíveis para níveis territoriais (regiões administrativas, regionais, distritos, subprefeituras, etc.) intermediários, inframunicipais, que são agregações das UDHs que compõem essas escalas.

Fonte da Informação

    Censos Demográficos do IBGE.